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No Causa Operária

No município de Santa Rosa do Purus, no Acre, os indígenas estão sofrendo perseguição e violência diária de grupos com características fascistoides. No dia 8 de fevereiro, o cacique Thomas Kaxinawá, da aldeia Porto Rico quase foi morto a pauladas por um grupo, quando estava indo participar do velório de um neto. Sua esposa está internada no hospital de Santa Rosa, em consequência da violência quando tentava defender o marido.

A agressão aconteceu próximo ao antigo polo indígena, localizado no centro da cidade, local de concentração e trânsito de famílias indígenas que saem da aldeia e vão para a cidade.

Os indígenas estão sendo perseguidos há algum tempo no município. Em 2013, os indígenas Ventura Samora Kaxinawá, Sebastião Kaxinawá e Carlos Torres Peres Kaxinawá foram atingidos por tiros na virilha, abdômen e tórax durante uma partida de futebol na arquibancada por serem de origem indígena. Os tiros foram de espingarda calibre 24 e realizados por uma pessoa da cidade.

No mês de março de 2015, o indígena Carlos Alberto Domingos Kaxinawá foi morto através de tijoladas na cabeça por quatro pessoas. Domingos era filho do cacique Edivaldo Domingos Kaxinawá, e a polícia como de costume apresentou o crime seria motivado por roubo.

Segundo relatos da população da cidade, o indígena vem sofrendo com a violência de grupos armados formados na cidade, inclusive com o estupro realizado contra as índias da região. Todos os crimes estariam ligados ao mesmo grupo.

A polícia trata a violência não como perseguição por serem indígenas e sim como crimes comuns ou de motivação banal. Sempre acobertando a real motivação dos crimes, como perseguir e manter os indígenas numa situação de terror para os latifundiários e madeireiros acessarem a suas terras.

O município de Santa Rosa do Purus possui duas terras indígenas que concentram um grande número de habitantes indígenas. Na Terra Indígena Alto Purus, localizada em parte dentro do município e a Terra Indígena Riozinho do Alto Envira, também chamada de Xinane (que fica localizada parcialmente dentro do município), onde metade da população do município é indígena.

Essa situação gera um grande conflito com latifundiários e madeireiros da região, que por sua vez fazem uma intensa campanha contra a população indígena para justificar a violência e as autoridades se omitem diante da violência contra a população indígena.

A formação de grupos fascistas está sendo motivada pela direita latifundiária há algum tempo, mas que com a efetivação do golpe está se tornando uma prática rotineira e tende a se agravar cada vez mais. Um bom exemplo é a situação dos indígenas Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul e no Sul da Bahia com os Tupinambás de Olivença.

O combate a esses grupos não pode ser realizado pela polícia e os indígenas não podem ter a ilusão nos órgãos do Estado, sendo a única saída a formação de comitês de luta e autodefesa contra os grupos fascistas que representam a direita e o latifúndio.

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